Ricardo Castro nasceu em Vitoria da Conquista, cidade do sudoeste baiano, em 1964. Aos nove meses de idade sua família mudou-se para Salvador onde aos três anos passou a mostrar um nítido interesse e facilidade no desempenho ao piano, partilhado nas aulas que sua irmã mais velha tomava em casa com uma tia.

Aos cinco anos ingressou na Escola de Musica e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, despertando a atenção da professora Esther Cardoso, discípula de Margerith Long, por sua capacidade de tocar de ouvido aliada à habilidade com que abordava e compreendia o que lhe era apresentado. Apesar da pouca idade foi considerado apto para entrar, excepcionalmente, nesta escola liderada por Hans Joachim Koellreuter e Ernest Widmer. Três anos depois fez a sua estreia em um recital solo tocando entre outros compositores Bach, Haydn, Diabelli e Villa-Lobos. Aos 10 anos foi solista do Concerto para piano em Ré Maior de Haydn, acompanhado pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia. A música foi indiscutivelmente a sua primeira linguagem.
Dos cinco aos 18 anos estudou sob a orientação de Esther Cardoso, aprimorando-se em aulas de Alta Interpretação Pianística, com Madalena Tagliaferro, de quem recebeu um radioso comentário: ”Ricardo Castro é um grande artista e um grande pianista. Só lhe falta envelhecer...”.

Aos 16 anos apresentou-se em S. Paulo com a Orquestra Sinfônica Estadual de São Paulo, regida por Eleazar de Carvalho, no Concerto para piano em La menor de Grieg.

Em 1984 Ricardo partiu com recursos próprios para estudar na Europa, ingressando no Conservatório Superior de Música de Genebra, na classe de virtuosidade de Maria Tipo, assim como na classe de regência de Arpad Gerecz, tendo interrompido prematuramente o curso de regência devido à intensificação da carreira de pianista.

Primeiro lugar nos concursos Rahn em Zurich em 1985, Pembaur em Berna em 1986, diplomou-se no Conservatório de Genebra em 1987 com o “Premier Prix de Virtuosité avec Distinction et Felicitacions du Jury”. Neste mesmo ano foi vencedor ex-aequo do Concurso Internacional da ARD de Munique, inicio de sua carreira internacional.

Completou seus estudos de piano em Paris com Dominique Merlet. Encontros com Friedrich Gulda, Alicia de La Rocha, Martha Argerich e Maria João Pires foram determinantes para a construção de sua estética musical.

Em 1993 recebeu o primeiro premio no prestigioso “Leeds International Piano Competition” na Inglaterra, tornando-se o primeiro vencedor latino-americano do concurso desde sua fundação, em 1963. Na sequencia da comemoração foi recebido em 10 Downing Street pelo primeiro ministro John Major e tocou para todo o gabinete do Governo britânico e para alguns dos mais importantes músicos da época, inclusive para o regente Sir Georg Solti.

Considerado um “Marketing Dream” pela imprensa britânica ao ganhar o concurso de Leeds, foi convidado para concertos com grandes orquestras tais como Gewandhaus de Leipzig, Tonhalle de Zurich, BBC Philharmonic de Londres, English Chamber , Academy of St. Martin in the Fields, City of Birmingham Symphony, Tokyo Philharmonic, Orchestre de la Suisse Romande ou Mozarteum de Salzburg. Seguiram-se apresentações nas mais prestigiadas salas de concerto como Queen Elisabeth Hall e Barbican Center de Londres ou Musikverein de Viena. Entre os regentes com quem  apresentou-se no exterior estão Sir Simon Rattle, Leif Segerstam, Yakov Kreizberg, Kazimierz Kord, Gilbert Varga, Alexander Lazarev e Michioshi Inoue

Em 2003 iniciou uma colaboração em duo com a pianista Maria João Pires. Junto fizeram uma serie de recitais nas mais importantes salas de concertos da Europa, dentre as quais Konzerthaus em Viena, Palau de la Música em Barcelona, Alte Oper de Frankfurt, Auditório Nacional de Madrid, Théâtre des Champs Elysées, Concertgebouw de Amsterdão e Tonhalle de Zurich. Em 2005 foi lançado um CD do duo, Résonance de l’Originaire, pelo selo Deutsche Grammophon, com obras de Franz Schubert a solo e a quatro mãos. Vários outros CDs foram gravados para o selo BMG-Arte Nova, sempre com excelentes comentários da critica especializada.

Apesar deste brilhante percurso, Ricardo Castro define-se como pouco interessado na carreira solo, preferindo apresentar-se em duos, musica de câmara e concertos. “A musica é uma arte para comunicar com o público e entre os músicos” disse numa entrevista em 2003. Igualmente constantes sempre foram em sua vida as atividades pedagógicas e sociais, principalmente voltadas para educação musical. “Não posso imaginar guardar a música para mim. Ela precisa ser compartilhada não só através de apresentações mas também pelo ensino sistemático”.

Ricardo Castro leciona desde 1992 na classe de mestrado da Haute École de Musique de Lausanne na Suíça, onde recebe um grupo exclusivo de jovens pianistas profissionais. Paralelamente às atividades musicais, sempre buscou dar apoio à programas sociais para jovens e crianças.

Em 2007 assume a responsabilidade de implantar e dirigir, em Salvador Bahia, um projeto inspirado no El Sistema da Venezuela e apoiado pelo seu fundador Jose Antonio Abreu. A convite do Governo do Estado da Bahia, cria o NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), um programa pioneiro no Brasil que completou cinco anos em outubro de 2012 quando quatro orquestras sinfônicas já constituídas se apresentaram no Teatro Castro Alves. A Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia, a mais avançada do programa, executou na ocasião a Nona Sinfonia de Beethoven regida por Ricardo Castro, que é seu Regente Titular e Diretor Artístico. Juntos já se apresentaram em importantes salas de concerto como Queen Elizabeth Hall de Londres, Victoria Hall de Genebra, Konzerhaus de Berlin, Centro Cultural de Belém em Lisboa e Sala São Paulo.

Sua grande dedicação ao Neojiba seja como professor, regente e gestor, o levou a exercitar quotidianamente conhecimentos adquiridos nas vivencias com diversas personalidades, instituições e culturas.

Tudo isso não o afastou da pratica e da excelencia ao piano, que pode ser reconhecida nos festivais e salas de concerto que frequenta para a alegria de seus admiradores.

Em 2013 Ricardo Castro tornou-se o primeiro brasileiro a receber o Honorary Membership da Royal Philharmonic Society, passando a figurar desde então ao lado de personalidades chaves na história da música ocidental.